Para conhecer mais |
Publicado em 12/11/08
Um novo apartheid A história das sociedades é permeada por apartheids dos mais variados matizes: raciais, religiosos, étnicos e até mesmo sexuais. Vou ainda mais longe: algumas segregações são parte integrante de nossa vida em sociedade, e, ao contrário do que muitos pensam, chegam a ser inclusive bastante desejáveis — ou alguma mulher aqui gostaria de compartilhar um banheiro público com o sexo masculino? O fato é que, com o evoluir (rectius, transformar) da sociedade, as formas de segregação foram tomando aspectos diferentes, nem sempre desejáveis. Nos tempos presentes, uma das manifestações mais cruéis de segregação ainda é o abismo econômico que aparta os ricos dos pobres. Esse ponto nodal foi o principal alvo dos ideais socialistas e comunistas, que sacudiram o pensamento intelectual dos homens nos últimos séculos. Entretanto, existe um horizonte, ainda um pouco enevoado, mas cujos prospectos são, no mínimo, bizarros. Com o desenvolvimento cada vez mais acelerado da engenharia genética, a codificação do genoma humano tem possibilitado aos cientistas manipular, ao seu alvedrio, a constituição de um ser vivo. Por enquanto, ao menos de conhecimento público, experimentos tais têm sido feitos com animais, como o cruzamento de espécies. Ocorre que esse não é o objetivo. E todos disso são bem cientes. Existem pesquisas em andamento que buscam, em indivíduos com habilidades quase sobre-humanas, isolar os genes determinantes de tais aptidões para serem posteriormente utilizados em outros humanos e, literalmente, “acelerar” o processo evolutivo da espécie. Contudo, tal possibilidade estará disponível para poucos. O horizonte sobre o qual me referi é o de uma sociedade segregada não só economicamente, mas biologicamente. Há a (forte) possibilidade da diferença entre os homens deixar de ser uma questão de oportunidade e extravasar os limites do possível. Viveremos, se esse for o caso, em uma sociedade onde os ricos não só serão ricos, mas mais evoluídos: super-homens, tais de arrepiar qualquer Zarathustra. Um cenário de dar inveja a Hitlers-to-be. Certamente, não era com esse Übermensch que Nietzsche sonhara. |