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Carlos Segundo
Labirinto Retilíneo

Carlos Segundo, ou Carlos Tche, dois de um, em meio as diversas bifurcações desse labirinto retílinio.
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Publicado em 14/11/08
Copacabana
Enfim, o dia. E a brisa que vem trazendo o aroma de sal não deixa a menor dúvida. Os dois pés invisíveis se escondem na areia que mesmo fina preenche todo o arredor. Ele se encurva e as pessoas apenas caminham, ele não sabe por que, mas elas caminham, talvez seja o ar; ele merece ser inspirado com maior ferocidade. Ele sentado, observa e admira o domingo que se inicia.
Sem fim o dia. Pelo menos assim deveria ser. As pessoas sempre felizes e o Maraca sempre lotado. Os turistas sempre estupefatos e os vendedores com o bolso inchado. Assim deveria ser aquela cena, um eterno caminhar. Deveria? Ele pergunta, sem obter resposta e ali continua seu monólogo, sentado.
É fim do dia, Quem dera se fôssemos Pacíficos e não Atlânticos, veríamos o sol se por, e a água salgada calmamente apagaria sua brasa, trazendo de volta apenas aquela bola branca de cinza sem vida. Não, mas aqui, na terra onde o Cristo abre seus braços, o astro se esconde atrás do morro, ou o morro que esconde o astro atrás de si? Pensaria mais sobre o assunto e não perguntaria. Fato é, o morro não mais consegue esconder os seus casebres que escalam sua espinha dorsal e passam a olhar de cima, plongeémente as pessoas que ainda caminham, o Maraca que não esvazia, os turistas ainda estupefatos e os bolsos não tão inchados, em fim, o dia das pessoas que ainda acreditam ou fingem não saber. Banho de mar é realmente bom pra descarregar.
Foi-se enfim o dia, mas ele não se despede, fica ali, sentado.
Em sua frente a imensidão do mar, ao seu lado Drummond.
O poeta estático, ele pensante.
O poeta metálico, ele circulante.
O poeta eterno, ele... um dia, em fim.
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