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Publicado em 29/10/08 Anti-manifesto Lembro de todas, multifaces das nossas entranhas pequenininhas, buraquinhos ocos, apelando pro subversivo e simpático da vida, pelo colateral e o que tensiona essa corda aí. Até fazer barulho. E quando você some no meio daquela gente toda, quando a cena não satisfaz seu ego e você sai broxado pra rua, pra vida de gato de rua, essa feita de garrafas atiradas nas paredes, essa feita de lágrimas engolidas com cevada. Quantos otários pra trocar essa lâmpada que insiste em acender na nossa cabeça? Quantos otários para subir as escadas da prosa? Quantos otários pra quantas paranóias? Eu já não sei. Porque foram os dias em brancas nuvens, que a gente tinha nosso gradiente e nossa própria mixed tape. Agora tudo fica por fora, por entre esse mau cheiro de testosterona e porra. Esse gosto embaçado na garganta, de ressaca. Eu te amos de puta, arrotos de coca-cola, como diria Tom Zé. Em cima de um palco, por detrás de portas sem maçaneta, bichos escrotos saem pelos esgotos, teorias mendigas tão fartas de tudo. Não cabe mais nada nas entrelinhas, está tudo gordo, cheio de uma intensidade que não é palpável, nem liquida é. Parece que não se lê mais Roberto Freire. Nem Marcelo Rubens Paiva, ninguém sabe de nada. Meus heróis morrem de infarto, todos gordos, veias entupidas. Não há mais teoria. Todo mundo procurando num passado noir algum futuro tecnicolor. Ilusões de beira de estrada, mancas. All this crap. Essa colagem contemporânea enfiada narinas abaixo. Ninguém entende mais nada. O cinema não tem mais importância, a vida é simples, e ninguém sacou isso ainda. E você, escuta esse samba direito rapaz, porque hoje faltam caras que trazem as pedras no peito e que mudam de calçada. Mentira. Voltar para a página inicial. |