The spaghetti man
Mais uma história fantástica para mocinhas indefesas no meio do pasto do cerrado. O homem macarrônico. Aqueles que mastigam o fumo, que te violentam com o cigarro do lado da boca, que te catam quando você abana o lenço. Envolvem você num drama quase barroco, você se vê falando frases como: “estou perdida sem você”.
Sim, esse mesmo, que por ter visto essa violência exagerada de sentidos, por ter visto essas tramas esbugalhadas aos nossos olhos, essas manias de bandidagem e pouco caso. Não, não trato aqui de um aliado do anti-cafajeste, de uma versão pitoresca do mesmo. Trato de um herói abusado e cheio de malícias incompetentes. Trato aqui do sexo sem condicionamentos, ou subterfúgios, ou qualquer medida paliativa. Aqui se trata do sexo feito à luz do sol, aquele pêlo tratado, de cavalo livre no pasto, sexo sujo, feito de cuspe, de suor de lima, de vestido pendurado no varal.
O lenço que você jogou para ele, mais tarde vai servir para ser banhado numa vasilha com água morna e preparado de arnica, para curar todas as feridas à queima roupa, uma por uma.
Duelos e despedida e o que for escrachado, tudo o que você puder limitar a uma boa dose de partida. Olhos por baixo das rédeas curtas, do drama sem precedentes da alegria agonizante.
E você puxará o cortejo e vozes cantantes e o enterrará –cheiro por cheiro- a sete palmos da terra.
Prepare a arnica, prepare o antidepressivo, o antiinflamatório, as boas doses de uísque e o som de Ennio Morricone. Você vai precisar. E não conte comigo, não compartilhe dessa vez, vá sozinha...